Desenvolver a mediunidade não significa dar algo a quem não estar habilitado para recebê-lo, mas sim, habilitar alguém a assumir conscientemente o dom com o qual foi ungido.
terça-feira, 28 de janeiro de 2014
Morada de Iemanjá
A Morada de Iemanjá existe no intuito de praticar o bem e a caridade , em busca da evolução espiritual e do amor ao nosso semelhante. Através dos passes, dos banhos, das rezas, podemos aliviar nossa caminhada, que às vezes, é muito difícil.
trabalho em casa
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segunda-feira, 27 de janeiro de 2014
domingo, 26 de janeiro de 2014
Reencarnação: Memórias de outras vidas
O conceito de reencarnação está impregnado de fé e misticismo. Mas a multiplicação de relatos impressionantes de lembranças e marcas de supostas vidas passadas atrai cada vez mais o interesse da ciência
Em uma das mais prestigiosas universidades públicas dos Estados Unidos, a Universidade de Virgínia, pesquisadores da área de saúde mental dedicam-se há décadas a desafiar os céticos. Ali são estudados, entre outros casos que ultrapassam os contornos da ciência convencional, relatos sobre reencarnação, muitos deles submetidos à checagem. Resultados conclusivos não há, mas eles são, no mínimo, intrigantes. À frente da Divisão de Estudos da Personalidade está o mais famoso pesquisador sobre o assunto, o já octogenário Ian Stevenson. Seus livros e textos em publicações científicas descrevem casos de crianças que se recordariam de vidas passadas e de pessoas com marcas de nascença que teriam sido originadas por cicatrizes de existências anteriores.
Stevenson e sua equipe avaliam casos de reencarnação da forma que consideram a mais acurada possível. Fazem entrevistas, confrontam a versão narrada com documentações, comparam descrições com fatos que só familiares da pessoa morta poderiam saber. Por tudo isso, ele se tornou um dos maiores responsáveis por ajudar a deslocar – ainda que apenas um pouco – o conceito de reencarnação do campo da fé e do misticismo para o campo da ciência.
Mas o que leva esse renomado médico, com mais de 60 anos de carreira, e tantos outros pesquisadores a encararem a reencarnação como uma hipótese válida?
Bem, são histórias como, por exemplo, a de Swarnlata Mishra, uma menina nascida em 1948 de uma rica família da Índia e que se tornou protagonista de um dos casos clássicos – digamos assim – da literatura médica sobre vidas passadas. A história é descrita em um dos livros de Stevenson, Twenty Cases Suggestive of Reincarnation (“Vinte Casos Sugestivos de Reencarnação”, sem versão brasileira), e se assemelha a outros registrados pelo mundo sobre lembranças reveladoras ocorridas, principalmente, na infância. Mas, ao contrário da maioria, não está relacionado a mortes violentas, confrontos ou traumas.
A história de Swarnlata é simples. Aos 3 anos de idade, viajava com seu pai quando, de repente, apontou uma estrada que levava à cidade de Katni e pediu ao motorista que seguisse por ela até onde estava o que chamou de “minha casa”. Lá, disse, poderiam tomar uma xícara de chá. Katni está localizada a mais de 160 quilômetros da cidade da menina, Pradesh. Logo em seguida, Swarnlata começou a descrever uma série de detalhes sobre sua suposta vida em Katni. Disse que lá seu nome fora Biya Pathak e que tivera dois filhos. Deu detalhes da casa e a localizou no distrito de Zhurkutia. O pai da menina passou a anotar as “memórias” da filha.
Exú caveira
Exu caveira é um dos muitos guardiões que trabalham na Umbanda. Entendemos os exus como guardiões, então existem vários deles além do Exu Caveira: Maraô, Capa Preta, Exu da Meia-Noite, Sete Encruzas, Exu Pimenta, etc.
Eles são responsáveis pela proteção dos terreiros e também pela nossa.
Agora é bom estar atento a uma coisa: se algum espírito se apresentou com o nome de Exu Caveira a fim de fazer um trabalho para prejudicar sua amiga, provavelmente não é um verdadeiro exu, trata-se de um kiumba (espírito obsessor, trevoso), pois os verdadeiros exus não trabalham para essa finalidade. O que acontece é que muitos kiumbas, espíritos trevosos, usam os nomes dos exus a fim de realizarem trabalhos para o mal. Com certeza não se trata de um verdadeiro Exu Caveira.
Diga a sua amiga para não entrar na vibração de quem fez o trabalho, para não se sugestionar, não se deixar abalar e procurar ajuda (se ela concordar, claro) em uma casa de Umbanda séria ou mesmo numa religião com a qual ela tenha mais afinidade (Deus manifesta-se em várias religiões, portanto é possível obter ajuda em vários lugares)
Eles são responsáveis pela proteção dos terreiros e também pela nossa.
Agora é bom estar atento a uma coisa: se algum espírito se apresentou com o nome de Exu Caveira a fim de fazer um trabalho para prejudicar sua amiga, provavelmente não é um verdadeiro exu, trata-se de um kiumba (espírito obsessor, trevoso), pois os verdadeiros exus não trabalham para essa finalidade. O que acontece é que muitos kiumbas, espíritos trevosos, usam os nomes dos exus a fim de realizarem trabalhos para o mal. Com certeza não se trata de um verdadeiro Exu Caveira.
Diga a sua amiga para não entrar na vibração de quem fez o trabalho, para não se sugestionar, não se deixar abalar e procurar ajuda (se ela concordar, claro) em uma casa de Umbanda séria ou mesmo numa religião com a qual ela tenha mais afinidade (Deus manifesta-se em várias religiões, portanto é possível obter ajuda em vários lugares)
sábado, 25 de janeiro de 2014
Orixás
A Umbanda acredita que os Orixás não tiveram vida corpórea na terra; mas são a representação da energia, força oriunda da natureza, e é tal força que auxilia os seres humanos nas dificuldades do dia a dia. Na Umbanda, os orixás também não incorporam (diferentemente do Candomblé), o que se vê é a manifestação dos Falangeiros dos Orixás, que são os Guias que trabalham sob ordens de um determinado Orixá. Cada pessoa recebe a influência de um Orixá, que será seu protetor por toda a vida.
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http://youtu.be/u3fo48sp8mU
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Pomba Gira – O poderoso Exu Feminino
Pomba Gira – O poderoso Exu Feminino
Pomba Gira são entidades espirituais imensamente faladas, e sobre as quais versa imensa controvérsia e debates religiosos.
Há quem afirme que Pomba Gira é uma entidade espiritual que assiste apenas a trabalhos Kimbanda, ( o que nas versões européias da bruxaria, corresponde á magia negra), ao passo que muitos afirmam que Pomba Gira assiste tanto á linha Umbanda , ( que no esoterismo europeu corresponde á Magia branca), como Kimbanda. Outros ainda, defendem que Pomba Gira é uma entidade espiritual chamada essencialmente a trabalhos esotéricos daquilo a que na magia ocidental se chama de magia vermelha.
Seja como for, muitos professam que Pomba Gira é simplesmente uma entidade espiritual ligada ao mundo terreno, ao passo que outros afirmam que pomba gira é um Exu.
Um Exu é um Orixá africano, ou seja: um mensageiro entre o mundo terreno e o mundo espiritual, ou seja: entre o céu e a terra, que na teologia crista, que igualmente corresponde Orun e Aiye, nas religiões Africanas.
Nas mitologias ocidentais, a figura de um Orixá poderia ser vista com alguma latitude de interpretações: alguns defendem que é um Deus, outros que um anjo.
È a este mensageiro, (Orixá),que no decorrer de um processo místico, ( seja de contacto com espíritos, seja de encomenda de serviços), todas as oferendas devem cerimoniosamente ser dedicadas, a fim de garantir que o trabalho espiritual realizado decorra com sucesso.
Exu é um Orixá de temperamento vivo e brincalhão. Exu também é conhecido por possuir um voraz apetite sexual. Exu gosta das coisas carnais e dos prazeres deste mundo, é luxurioso, por vezes indecoroso e provocador. Exu é astuto como a serpente, e por todos esses motivos, os primeiros Cristãos a contactar com os povos Africanos, encararam esta divindade, (representada pelo falo erecto, um símbolo da fertilidade), como a incarnação de Satanás junto dos povos africanos. Por esse motivo, os cultos ligados a Exu foram fortemente reprimidos, e a religião Africana acabou encontrando formas de secretamente perpetuar as suas crenças, ao associar figuras da teologia Crista, ( anjos, santos, santas, etc), a entidades do seu próprio culto religioso. Dessa forma, os padres e missionários cristãos achavam ter conseguido uma plena conversão dos povos colonizados quando observavam os rituais nativos de veneração a essa fugiras cristas, desconhecendo que secretamente se estavam a perpetuar as crenças religiosas originais.
Pomba gira é vista como um Exu feminino, um mensageiro entre este mundo e o mundo espiritual, um espírito, ( que nas religiões Abraamicas do deserto seria certamente visto como um anjo), de forte e vincada personalidade.
Pomba gira é um espírito feminino também de luxúria, sendo que todos os prazeres e coisas deste mundo lhe são agradáveis.
Muitos crentes, afirmam que pomba gira não é uma entidade, mas sim um conceito que serve para identificar uma certa categoria de espíritos.
Há quem também afirme que os espíritos chamados «pomba gira», são espíritos de mulheres que em vida foram amantes, prostitutas, ou simplesmente mulheres especialmente ligadas ao prazer das coisas da carne, e que morrendo se transformam em poderosas entidades espirituais.
Estes espíritos femininos, são capazes tanto de um grande mal , ( desviar comportamentos sexuais, causar tentações, separar casais, concretizar cruéis vinganças, separar famílias, etc), como de um grande bem ( unir casais, salvar casamentos, devolver harmonia ao lar, etc).
Sendo espíritos de mulheres falecidas, essas entidades tendem a reencarnar periodicamente neste mundo. As que ainda não reencarnaram, tendem a procurar médiuns com os quais se possam relacionar e assim incorporar temporariamente.
Normalmente um espirito Pomba Gira incorpora numa mulher, embora haja casos em que se afirma que tal sucede em homens. Afirma-se também que nesses casos, a fortíssima influencia espiritual de pomba gira num homem, poderá distorcer a sua orientação sexual, mas tal não se encontra provado.
Afirma-se na teologia Umbanda e Kimbanda, que Pomba-Gira, ( o conceito que serve para distinguir toda uma linhagem de espíritos feminis), constitui na verdade uma enorme legião, subdividida em ramos distintos: existem pombas giras ligadas ás encruzilhadas, ( Pomba Gira das 7 encruzilhadas), bem como pombas giras ligadas a locais ermos, ( Pomba Gira Maria Mulambo), como pombas giras relacionadas com ciganas, ( pomba gira Cigana), como pombas giras afetas aos cemitérios, ( pomba gira Calunga)
No decorrer de um processo espiritual, milhares de pessoas já afirmaram ter visto os seus desejos concretizados através deste tipo de entidade, ao passo que outras viram todo o tipo de alterações milagrosas suceder na sua vida.
As oferendas realizadas a pomba gira, são: charutos, bebidas fortes, cigarros de boa qualidade, flores vermelhas, espelhos, jóias bonitas e brilhantes, licores, bijuterias, perfumes e tudo aquilo que um espirito feminino adora.
Os locais de oferenda, variam consoante a natureza da pomba gira em questão.
As pomba gira são entidades espirituais de forte personalidade, pelo que jamais se poderá quebrar a palavra dada, nem violar os termos de uma instrução, nem mostrar desrespeito. Qualquer uma dessas falhas, pode resultar em trágica conseqüência.
Contam os crentes, que em certas noites, podemos ouvi-las cantando e dançando nos locais mais inesperados, ( lugares ermos, cemitérios), e sentir o perfume doce e feminino das suas presenças invisíveis. Nessas noites, convém afastar-se rapidamente desse local, sem olhar para traz, com todo o respeito e discrição, respeitando a intimidade dessas valorosas Exu femininas
A mediunidade
A mediunidade pode manifestar-se através da pessoa absolutamente inculta, mas os bons espíritos são de parecer que todos os médiuns são chamados a estudar a fim de servirem com mais segurança.
As crenças antigas: a china
Porventura, em nenhum povo o sentimento da sobrevivência foi tão vivo quanto entre os chineses. O culto dos Espíritos se lhes impôs desde a mais remota Antigüidade. Cria-se no Thian ou Chang-si, nomes dados indiferentemente ao céu; mas, sobretudo, prestavam-se honras aos Espíritos e às almas dos antepassados. Confúcio respeitou essas crenças antigas e certo dia, entre os que o cercavam, admirou umas máximas escritas, havia mais de mil e quinhentos anos, sobre uma estátua de ouro, no Templo da Luz, sendo uma delas a seguinte:
Falando ou agindo, não penses, embora te aches só, que não és visto, nem ouvido: os Espíritos são testemunhas de tudo. (8)
Vê-se que, no Celeste Império, os céus são povoados, como a Terra, não somente pelos gênios, mas também pelas almas dos homens que neste mundo viveram. A par do culto dos Espíritos, estava o dos antepassados.
Tinha por objeto, além de conservar a preciosa lembrança dos avós e de os honrar, atrair a atenção deles para os seus descendentes, que lhes pediam conselhos em todas as circunstâncias importantes da vida e sobre os quais supunha-se que eles exerciam influencia decisiva, aprovando-lhes ou lhes censurando o proceder. (9)
Nessas condições, é evidente que a natureza da alma tinha que ser bem conhecida dos chineses. Confúcio não concebia a existência de puros Espíritos; atribuía-lhes um envoltório semimaterial, um corpo aeriforme, como o prova esta citação do grande filósofo:
Como são vastas e profundas as faculdades dos Koúci-Chie (Espíritos diversos) ! A gente procura percebê-los e não os vê; procura ouvi-los e não os ouve. Identificados com a substância dos seres, não podem ser dela separados. Estão por toda parte, acima de nós, à nossa esquerda, à nossa direita; cercam-nos de todos os lados. Entretanto, por mais sutis e imperceptíveis que sejam, eles se manifestam pelas formas corpóreas dos seres; sendo real, verdadeira, a essência deles não pode deixar de manifestar-se sob uma forma qualquer. (10)
O budismo penetrou na China e lhe assimilou as antigas crenças. Continuou as relações estabelecidas com os mortos. Aqui está um exemplo dessas evocações e da aparência que toma a alma para se tornar visível a olhos mortais.
O Sr. Estanislau Julien, que traduziu do chinês a história de Hiuen-Thsang, que viveu pelo ano 650 da nossa era, narra assim a aparição do Buda, devida a uma prece daquela santa personagem.
Tendo penetrado na caverna onde, animado de fé profunda, vivera o grande iniciador, Hiuen-Thsang se acusou de seus pecados, com o coração transbordante de sinceridade. Recitou devotamente suas preces, prosternando-se a cada estrofe. Depois de fazer uma centena dessas reverências, viu surgir uma claridade na parede oriental da caverna.
Tomado de alegria e de dor, recomeçou ele as suas saudações reverentes e viu brilhar e apagar-se qual relâmpago uma luz do tamanho de uma salva. Então, num transporte de júbilo e amor, jurou que não deixaria aquele sítio sem ter visto a sombra augusta do Buda. Continuou a prestar-lhe suas homenagens e, ao cabo de duzentas saudações, teve de súbito inundada de luz toda a gruta e o Buda, em deslumbrante brancura, apareceu, desenhando-se-lhe majestosamente a figura sobre a muralha. Ofuscante fulgor iluminava os contornos da sua face divina. Hiuen-Thsang contemplou em êxtase, durante largo tempo, o objeto sublime e incomparável de sua admiração. Prosternou-se respeitosamente, celebrou os louvores do Buda e espalhou flores e perfumes, depois do que a luz 99 extinguiu. O brâmane que o acompanhara ficou tão encantado quanto maravilhado daquele espetáculo. Mestre, disse ele, sem a sinceridade da tua fé e o fervor dos teus votos, não terias presenciado tal prodígio.
Essa aparição lembra a transfiguração de Jesus, quando se prostraram Moisés e Elias. Os Espíritos superiores têm um corpo de esplendor incomparável, por isso que a sua substância fluídica é mais luminosa do que as mais rápidas vibrações do éter, como poderemos verificar pelo que se segue.
Falando ou agindo, não penses, embora te aches só, que não és visto, nem ouvido: os Espíritos são testemunhas de tudo. (8)
Vê-se que, no Celeste Império, os céus são povoados, como a Terra, não somente pelos gênios, mas também pelas almas dos homens que neste mundo viveram. A par do culto dos Espíritos, estava o dos antepassados.
Tinha por objeto, além de conservar a preciosa lembrança dos avós e de os honrar, atrair a atenção deles para os seus descendentes, que lhes pediam conselhos em todas as circunstâncias importantes da vida e sobre os quais supunha-se que eles exerciam influencia decisiva, aprovando-lhes ou lhes censurando o proceder. (9)
Nessas condições, é evidente que a natureza da alma tinha que ser bem conhecida dos chineses. Confúcio não concebia a existência de puros Espíritos; atribuía-lhes um envoltório semimaterial, um corpo aeriforme, como o prova esta citação do grande filósofo:
Como são vastas e profundas as faculdades dos Koúci-Chie (Espíritos diversos) ! A gente procura percebê-los e não os vê; procura ouvi-los e não os ouve. Identificados com a substância dos seres, não podem ser dela separados. Estão por toda parte, acima de nós, à nossa esquerda, à nossa direita; cercam-nos de todos os lados. Entretanto, por mais sutis e imperceptíveis que sejam, eles se manifestam pelas formas corpóreas dos seres; sendo real, verdadeira, a essência deles não pode deixar de manifestar-se sob uma forma qualquer. (10)
O budismo penetrou na China e lhe assimilou as antigas crenças. Continuou as relações estabelecidas com os mortos. Aqui está um exemplo dessas evocações e da aparência que toma a alma para se tornar visível a olhos mortais.
O Sr. Estanislau Julien, que traduziu do chinês a história de Hiuen-Thsang, que viveu pelo ano 650 da nossa era, narra assim a aparição do Buda, devida a uma prece daquela santa personagem.
Tendo penetrado na caverna onde, animado de fé profunda, vivera o grande iniciador, Hiuen-Thsang se acusou de seus pecados, com o coração transbordante de sinceridade. Recitou devotamente suas preces, prosternando-se a cada estrofe. Depois de fazer uma centena dessas reverências, viu surgir uma claridade na parede oriental da caverna.
Tomado de alegria e de dor, recomeçou ele as suas saudações reverentes e viu brilhar e apagar-se qual relâmpago uma luz do tamanho de uma salva. Então, num transporte de júbilo e amor, jurou que não deixaria aquele sítio sem ter visto a sombra augusta do Buda. Continuou a prestar-lhe suas homenagens e, ao cabo de duzentas saudações, teve de súbito inundada de luz toda a gruta e o Buda, em deslumbrante brancura, apareceu, desenhando-se-lhe majestosamente a figura sobre a muralha. Ofuscante fulgor iluminava os contornos da sua face divina. Hiuen-Thsang contemplou em êxtase, durante largo tempo, o objeto sublime e incomparável de sua admiração. Prosternou-se respeitosamente, celebrou os louvores do Buda e espalhou flores e perfumes, depois do que a luz 99 extinguiu. O brâmane que o acompanhara ficou tão encantado quanto maravilhado daquele espetáculo. Mestre, disse ele, sem a sinceridade da tua fé e o fervor dos teus votos, não terias presenciado tal prodígio.
Essa aparição lembra a transfiguração de Jesus, quando se prostraram Moisés e Elias. Os Espíritos superiores têm um corpo de esplendor incomparável, por isso que a sua substância fluídica é mais luminosa do que as mais rápidas vibrações do éter, como poderemos verificar pelo que se segue.
As crenças antigas: o egito
Tão longe quanto possamos chegar interrogando os egípcios, ouvi-los-emos afirmar a sua fé numa segunda vida do homem, num lugar donde ninguém pode volver, onde habitam os antepassados. Imutável, essa idéia atravessa intacta todas as civilizações egípcias; nada consegue destruí-la. Ao contrário, apenas o que não resiste às influências diversas, vindas de todas as partes, é o como dessa imortalidade. Qual, no homem, a parte durável, que resiste à morte, ou que, revivificada, continua outra existência?
A mais antiga crença, a dos começos (5.000 anos a.C.), considerava a morte uma simples suspensão da vida. Depois de estar imóvel durante certo tempo, o corpo retomava o sopro e ia habitar muito longe, a oeste deste mundo. Em seguida, mas sempre muito remotamente, antes mesmo, talvez, das primeiras dinastias históricas, surgiu a idéia de que somente uma parte do homem Ia viver segunda vida. Não era uma alma, era um corpo, diferente do primeiro, porém, proveniente deste, mais leve, menos material. Esse corpo, quase invisível, saído do primeiro corpo mumificado, estava sujeito a todos os reclamos da existência: era preciso alojá-lo, nutri-lo, vesti-lo. Sua forma, no outro mundo, reproduzia, pela semelhança, o primeiro corpo. E o ka, o duplo, ao qual, no antigo Império, se prestava o culto dos mortos. (5004-3064 a.C.)
Uma primeira modificação fez do duplo - do ka - um corpo menos grosseiro do que o era na concepção primitiva. Não passava o segundo corpo de uma substância - bi - de uma essência - baí - e, afinal, de um claror, de uma parcela de chama, de luz. Essa fórmula se generalizou nos templos e nas escolas. O povo, esse, se atinha à crença simples, original, do homem composto de duas partes: o corpo e a inteligência - khou - separáveis. Houve, pois, um instante, sobretudo nas proximidades da 18.a dinastia, em que coexistiam crenças diversas. Cria-se, ao mesmo tempo: no corpo duplo, ou ka; na substância luminosa, ou baí, ba; na inteligência, ou khou. Eram três almas.
Assim foi, sem nenhum mal, até ao momento em que, formado o corpo sacerdotal, este, sentindo a necessidade de uma doutrina, impondo-se-lhe uma escolha, teve que tomar uma decisão. Então, pelos fins da 18.a dinastia (3064-1703 a.C.), os sacerdotes muito habilmente, para não ferir nenhuma crença, para chamar a si todas as opiniões, conceberam um sistema em que coubessem todas as hipóteses.
A pessoa humana foi tida como composta de quatro partes: o corpo, o duplo (ka), a substância inteligente (khou) e a essência luminosa (ba ou baí). Mas, essas quatro partes se reduziam realmente a duas, no sentido de que o duplo, ou ka, era parte integrante do corpo durante a vida, como a essência luminosa, ou ba, se achava contida na substância inteligente, ou khou. Foi assim que, nos últimos tempos da 18.a dinastia, pela primeira vez, o Egito, embora sem lhe compreender a verdadeira teoria, teve, na realidade, a noção do ser humano composto de uma única alma e de um só corpo. A nova teoria se simplificou ainda mais, com o passarem o corpo e o seu duplo a ser tidos como permanecendo para sempre no túmulo, enquanto que a alma-inteligência, servindo de corpo à essência luminosa, ia viver com os deuses a segunda vida. A imortalidade da alma substituía desse modo à imortalidade do corpo, que fora a primeira concepção egípcia. (7)
As crenças antigas: a india
Ainda nos dias atuais, as tribos mais selvagens crêem numa certa imortalidade do ser pensante (3) e as narrativas dos viajantes são concordes no atestar que, em todas as partes do globo, a sobrevivência é unanimemente afirmada. Remontando aos mais antigos testemunhos que possuímos, isto é, aos hinos do Rigveda, vemos que os homens que viviam nas faldas do Himalaia, no Sapta Sindhu (país dos sete rios), tinham Intuições claras sobre o além da morte.
Baseando-se provavelmente nas aparições naturais e nas visões em sonho, foi que os sacerdotes, ao cabo de muitos séculos, lograram codificar a vida futura. Como será essa vida? Um poeta ária esboça assim, vigorosamente, o céu védico:
Morada definitiva dos deuses imortais, sede da luz eterna, origem e base de tudo o que é, mansão de constante alegria, de prazeres infindos, onde os desejos se realizam mal surjam, onde o ária fiel viverá de eterna vida.
Desde que o céu védico foi concebido qual morada divina habitável pelo ser humano, posta se achou a questão de saber-se como poderia o homem elevar-se tão alto e como, dotado de faculdades restritas, seria capaz de viver uma vida celeste sem fim. Fora possível que o corpo humano, tão fortemente ligado a terra, levantando vôo, tornado leve como uma nuvem, atravessasse o espaço, para ir ter, por si mesmo, à maravilhosa cidade dos deuses? Necessário seria que um milagre se produzisse. Ora, esse milagre jamais visivelmente se produziu. Dar-se-ia, então, que a morada divina ainda estivesse sem habitantes? A não ser mediante um prodígio, que corpo físico pode perder o seu próprio peso? Desse mistério, desse pensamento vago, nasceu, de certo modo, a preocupação positiva dos destinos da matéria após a morte, da sobrevivência de uma parte do ser. Essa a mais antiga explicação que se conhece daquele misterioso além.
Abatido pela morte, o corpo humano se desfaz por inteiro nos elementos que participaram da sua formação. Os raios do olhar, matéria luminosa, o Sol os reabsorve; a respiração, tomada aos ares, a estes volve; o sangue, seiva universal, vai vivificar as plantas; os músculos e os ossos, reduzidos a pó, tornam-se húmus. O olho volta para o Sol; o respiro volta para Vayú; o céu e a terra recebem o que lhes é devido; as águas e as plantas retomam as partes do corpo humano que lhes pertencem:’ O cadáver do homem se dispersa. As matérias que compunham o corpo vivo, privadas do calor vital, restituídas ao Grande Todo, servirão à formação de outros corpos. Nada se perdeu, nada o céu tomou para si.
Entretanto, o ária que morreu santamente receberá sua recompensa: elevar-se-á às alturas inacessíveis; gozará da sua glorificação. Como será isso? Assim: a pele nada mais é do que o invólucro do corpo e, quando Agni, o deus quente (4), abandona o moribundo, respeita o invólucro corpóreo, pele e músculos. As carnes, debaixo da pele, são apenas matérias espessas, grosseiras, que constituem segundo envoltório destinado ao trabalho, sujeito a funções determinadas. Sob esse duplo envoltório, da pele e do corpo, há o homem verdadeiro, o homem puro, o homem propriamente dito, emanação divina, suscetível de voltar para os deuses, como o raio de luz volta para o Sol, a respiração para o ar, a carne para a terra. Depois da morte, essa alma, revestida de um novo corpo, luminosa névoa resplandecente, de forma brilhante, cujo próprio brilho a furta à fraca visão dos vivos, é transportada à morada divina. (5)
Se o deus ficou satisfeito com as oferendas do ária morto, vem, ele próprio, dar-lhe o invólucro luminoso com que a alma será transportada. Um hino exprime sumariamente a mesma idéia, sob a forma de uma prece:
Desdobra, ó Deus, os teus esplendores e dá assim ao morto o novo corpo em que a alma será transportada, segundo a tua vontade. (6)
Se refletirmos que esses hinos estavam escritos, há cerca de 3.500 anos, na língua mais rica e mais harmoniosa que já existiu, ficamos sem poder calcular a que épocas recuadas remontam essas noções, tão precisas e quase justas, sobre a alma e o seu envoltório. Só mesmo toda a ignorância da nossa época grosseiramente materialista seria capaz de contestar uma verdade velha como o pensamento humano e que se nos depara em todos os povos. As nossas modernas experiências sobre os Espíritos, que se deixam fotografar ou se materializam momentaneamente, como veremos mais adiante, mostram que o perispírito é uma realidade física, tão inegável como o próprio corpo material. Já era essa a crença dos antigos habitantes da margem do Nilo e constitui fato digno de nota que, no alvorecer de todas as civilizações, topamos com crenças fundamentalmente semelhantes, quando quase nenhum meio de comunicação havia entre povos tão distanciados uns dos outros.
Baseando-se provavelmente nas aparições naturais e nas visões em sonho, foi que os sacerdotes, ao cabo de muitos séculos, lograram codificar a vida futura. Como será essa vida? Um poeta ária esboça assim, vigorosamente, o céu védico:
Morada definitiva dos deuses imortais, sede da luz eterna, origem e base de tudo o que é, mansão de constante alegria, de prazeres infindos, onde os desejos se realizam mal surjam, onde o ária fiel viverá de eterna vida.
Desde que o céu védico foi concebido qual morada divina habitável pelo ser humano, posta se achou a questão de saber-se como poderia o homem elevar-se tão alto e como, dotado de faculdades restritas, seria capaz de viver uma vida celeste sem fim. Fora possível que o corpo humano, tão fortemente ligado a terra, levantando vôo, tornado leve como uma nuvem, atravessasse o espaço, para ir ter, por si mesmo, à maravilhosa cidade dos deuses? Necessário seria que um milagre se produzisse. Ora, esse milagre jamais visivelmente se produziu. Dar-se-ia, então, que a morada divina ainda estivesse sem habitantes? A não ser mediante um prodígio, que corpo físico pode perder o seu próprio peso? Desse mistério, desse pensamento vago, nasceu, de certo modo, a preocupação positiva dos destinos da matéria após a morte, da sobrevivência de uma parte do ser. Essa a mais antiga explicação que se conhece daquele misterioso além.
Abatido pela morte, o corpo humano se desfaz por inteiro nos elementos que participaram da sua formação. Os raios do olhar, matéria luminosa, o Sol os reabsorve; a respiração, tomada aos ares, a estes volve; o sangue, seiva universal, vai vivificar as plantas; os músculos e os ossos, reduzidos a pó, tornam-se húmus. O olho volta para o Sol; o respiro volta para Vayú; o céu e a terra recebem o que lhes é devido; as águas e as plantas retomam as partes do corpo humano que lhes pertencem:’ O cadáver do homem se dispersa. As matérias que compunham o corpo vivo, privadas do calor vital, restituídas ao Grande Todo, servirão à formação de outros corpos. Nada se perdeu, nada o céu tomou para si.
Entretanto, o ária que morreu santamente receberá sua recompensa: elevar-se-á às alturas inacessíveis; gozará da sua glorificação. Como será isso? Assim: a pele nada mais é do que o invólucro do corpo e, quando Agni, o deus quente (4), abandona o moribundo, respeita o invólucro corpóreo, pele e músculos. As carnes, debaixo da pele, são apenas matérias espessas, grosseiras, que constituem segundo envoltório destinado ao trabalho, sujeito a funções determinadas. Sob esse duplo envoltório, da pele e do corpo, há o homem verdadeiro, o homem puro, o homem propriamente dito, emanação divina, suscetível de voltar para os deuses, como o raio de luz volta para o Sol, a respiração para o ar, a carne para a terra. Depois da morte, essa alma, revestida de um novo corpo, luminosa névoa resplandecente, de forma brilhante, cujo próprio brilho a furta à fraca visão dos vivos, é transportada à morada divina. (5)
Se o deus ficou satisfeito com as oferendas do ária morto, vem, ele próprio, dar-lhe o invólucro luminoso com que a alma será transportada. Um hino exprime sumariamente a mesma idéia, sob a forma de uma prece:
Desdobra, ó Deus, os teus esplendores e dá assim ao morto o novo corpo em que a alma será transportada, segundo a tua vontade. (6)
Se refletirmos que esses hinos estavam escritos, há cerca de 3.500 anos, na língua mais rica e mais harmoniosa que já existiu, ficamos sem poder calcular a que épocas recuadas remontam essas noções, tão precisas e quase justas, sobre a alma e o seu envoltório. Só mesmo toda a ignorância da nossa época grosseiramente materialista seria capaz de contestar uma verdade velha como o pensamento humano e que se nos depara em todos os povos. As nossas modernas experiências sobre os Espíritos, que se deixam fotografar ou se materializam momentaneamente, como veremos mais adiante, mostram que o perispírito é uma realidade física, tão inegável como o próprio corpo material. Já era essa a crença dos antigos habitantes da margem do Nilo e constitui fato digno de nota que, no alvorecer de todas as civilizações, topamos com crenças fundamentalmente semelhantes, quando quase nenhum meio de comunicação havia entre povos tão distanciados uns dos outros.
As crenças antigas
E nos desconhecida a natureza íntima da alma. Dizendo-se que ela é imaterial, esta palavra deve ser entendida em sentido relativo e não absoluto, porquanto a imaterialidade completa seria o nada. Ora, a alma ou o espírito (2) é alguma coisa que pensa, sente e quer; tem-se, pois, que entender, quando a qualificamos de imaterial, que a sua essência difere tanto do que conhecemos fisicamente, que nenhuma analogia guarda com a matéria.
Não se pode conceber a alma, senão acompanhada de uma matéria qualquer que a individualize, visto que, sem isso, impossível lhe fora se pôr em relação com o mundo exterior. Na Terra, o corpo humano é o médium que nos põe em contacto com a Natureza; mas, após a morte, destruído que se acha o organismo vivo, mister se faz que a alma tenha outro envoltório para entrar em relações com o novo meio onde vai habitar. Desde todos os tempos, essa indução lógica foi fortemente sentida e tanto mais quanto as aparições de pessoas mortas, que se mostravam com a forma que tiveram na Terra, fundamentavam semelhante crença.
Quase sempre, o corpo espiritual reproduz o tipo que o Espírito tinha na sua última encarnação e, provavelmente, a essa semelhança da alma se devem as primeiras noções acerca da imortalidade.
Se também ponderarmos que, em sonho, muitas pessoas vêem parentes ou amigos que já morreram há longo tempo, que esses parentes e amigos conversam com elas, parecendo vivos como outrora, não nos será talvez difícil encontrar em tais fatos as causas da crença, generalizada entre os nossos ancestrais, numa outra vida.
Verifica-se, com efeito, que os homens da época pré-histórica, a que se deu o nome de megalítica, sepultavam os mortos, colocando-lhes nos túmulos armas e adornos, pois, de supor-se que essas populações primitivas tinham a intuição de uma existência segunda, sucessiva à existência terrena. Ora, se há uma concepção oposta ao testemunho dos sentidos, é precisamente a de uma vida futura. Quando se vê o corpo físico tornado insensível, inerte, malgrado a todos os estímulos que se empreguem; quando se observa que ele esfria, depois se decompõe, torna-se difícil imaginar que alguma coisa sobreviva a essa desagregação total. Se, apesar, porém, dessa destruição, se observa o reaparecimento completo do mesmo ser, se ele demonstra, por atos e palavras, que continua a viver, então, mesmo aos seres mais frustros se impõe, com grande autoridade, a conclusão de que o homem não morreu de todo. Só, provavelmente, após múltiplas observações desse gênero, foi que se estabeleceram o culto prestado aos despojos mortais e a crença numa outra vida em continuação da vida terrestre.
Não se pode conceber a alma, senão acompanhada de uma matéria qualquer que a individualize, visto que, sem isso, impossível lhe fora se pôr em relação com o mundo exterior. Na Terra, o corpo humano é o médium que nos põe em contacto com a Natureza; mas, após a morte, destruído que se acha o organismo vivo, mister se faz que a alma tenha outro envoltório para entrar em relações com o novo meio onde vai habitar. Desde todos os tempos, essa indução lógica foi fortemente sentida e tanto mais quanto as aparições de pessoas mortas, que se mostravam com a forma que tiveram na Terra, fundamentavam semelhante crença.
Quase sempre, o corpo espiritual reproduz o tipo que o Espírito tinha na sua última encarnação e, provavelmente, a essa semelhança da alma se devem as primeiras noções acerca da imortalidade.
Se também ponderarmos que, em sonho, muitas pessoas vêem parentes ou amigos que já morreram há longo tempo, que esses parentes e amigos conversam com elas, parecendo vivos como outrora, não nos será talvez difícil encontrar em tais fatos as causas da crença, generalizada entre os nossos ancestrais, numa outra vida.
Verifica-se, com efeito, que os homens da época pré-histórica, a que se deu o nome de megalítica, sepultavam os mortos, colocando-lhes nos túmulos armas e adornos, pois, de supor-se que essas populações primitivas tinham a intuição de uma existência segunda, sucessiva à existência terrena. Ora, se há uma concepção oposta ao testemunho dos sentidos, é precisamente a de uma vida futura. Quando se vê o corpo físico tornado insensível, inerte, malgrado a todos os estímulos que se empreguem; quando se observa que ele esfria, depois se decompõe, torna-se difícil imaginar que alguma coisa sobreviva a essa desagregação total. Se, apesar, porém, dessa destruição, se observa o reaparecimento completo do mesmo ser, se ele demonstra, por atos e palavras, que continua a viver, então, mesmo aos seres mais frustros se impõe, com grande autoridade, a conclusão de que o homem não morreu de todo. Só, provavelmente, após múltiplas observações desse gênero, foi que se estabeleceram o culto prestado aos despojos mortais e a crença numa outra vida em continuação da vida terrestre.
NA SEPULTURA DE UM ESPIRITA
A beira dessa tumba, antes de devolver a terra os despojos de nosso irmão, antes de devolver a poeira a poeira, saudemos o Espírito, em sua volta ao mundo invisível.
Hoje, liberto da escravidão da matéria, ele vai reencontrar os seus bem amados, que o precederam na vida superior, vai recolher na paz serena dos espaços os frutos de uma existência de labores e de provações.
Deus poderoso, sê misericordioso para com ele. Abre-lhe teus vastos horizontes luminosos; permite que ele goze dos esplendores e das harmonias de teu universo infinito.
Faz, Senhor, que, nesse espetáculo grandioso, no estudo que vai fazer do universo, ele obtenha com uma compreensão mais ampla de tua lei, um desejo ardente de trabalhar em sua evolução e na de seus semelhantes.
Saibam, todos os que me escutam, que são mentirosas inscrições de que estamos rodeados e que Aqui jaz um tal; aqui repousa alguém “. Não há mais nada sob o solo, a não ser os restos de vestimentas usadas.
A vida livre do Espírito no espaço é uma vida de atividade e de útil labor; segundo suas capacidades e seu grau de adiantamento, o Espírito recebe missões, que contribuem para elevá-lo mais alto, na escala infinita: missões de proteção para com os que ele deixou na Terra, atendendo que eles vão reencontrá-lo no Além (falar aqui da viúva, dos filhos, se for necessário), missões de ensino e de educação em proveito dos Espíritos inferiores; missões de inspiração e de assistência para com os humanos que desenvolvem uma nobre tarefa ou que sofrem o peso de provas cruéis.
A vida do espírito não é uma bela contemplação, porém, uma ação constante, em vista de sua elevação e a de todos.
Lembremos aqui o que foi a vida de nosso irmão, isto é, uma vida de labores e de abnegação (enumerar as qualidades do desencarnado). Uma força sempre o assistiu, no meio de suas provas: foi sua fé profunda na vida futura, sua crença no mundo invisível, na justiça eterna, sua crença nas vidas renascentes pelas quais o ser se eleva de grau em grau na escalada dos mundos. Numa palavra, foi o Espiritismo que o sustentou e consolou, fortificou em suas lutas e em seus males.
Esta grande doutrina é, ao mesmo tempo, antiga e nova, porque a verdade é de todos os tempos. Após ter sido esquecida, ela se reanima hoje; ela se expande com um poder e uma rapidez maravilhosa, atrai para si a elite dos pensadores e dos sábios do mundo inteiro. Traz-nos dados precisos, certezas sobre nossa verdadeira natureza, sobre nosso futuro além túmulo, sobre nossos destinos imortais.
Observem, esta doutrina se apóia em um conjunto imponente de fatos, de provas experimentais, que constituem uma ciência vasta e profunda.
De hoje em diante, está feita a prova de que a morte é apenas uma aparência. Os que acreditamos perdidos, revivem de uma vida mais alta e estão, muitas vezes, perto de nós. Comunicações são estabelecidas entre os vivos e os mortos e logo eles se sentirão unidos em uma obra comum de solidariedade e de progresso.
E esta ciência, esta doutrina se manifesta em uma época em que as provas se multiplicam, onde a existência se torna áspera, mais difícil, onde conflitos surgem a cada instante entre as raças, entre os povos, entre as classes sociais.
As lições de guerra, embora tão brilhantes, não nos aproveitaram e uma onda de ódio, de ardentes cobiças, de imoralidade passa pelo mundo; novos males nos ameaçam.
E nesta hora que a voz dos Espíritos se eleva para nos lembrar que há, acima de nós, leis eternas que não se violam impunemente e cuja aplicação pode, por si só, trazer entre nós a paz, a segurança, a harmonia social.
Essa voz vem despertar em nossas consciências perturbadas a noção dos deveres e das responsabilidades, lembrar a todos que o bem, como o mal recaem sobre seus autores e que a alma colhe infalivelmente, em suas vidas sucessivas, tudo o que semeou.
Essa voz, X (o desencarnado) a ouviu; esses ensinamentos, ele os compreendeu. Toda a sua vida foi também boa e exemplar.
E eis porque nós, que partilhamos de suas crenças, nós que temos fé na sobrevivência e imortalidade, estamos nessa sepultura para dizer ao Espírito invisível, mas não ausente, não este adeus final, que se ouve tão freqüentemente retumbar sobre as campas, porém, um cordial até logo! Até logo, nessa vida nova que se abre diante dele, nessa vida superior, onde nós nos reencontraremos todos
Hoje, liberto da escravidão da matéria, ele vai reencontrar os seus bem amados, que o precederam na vida superior, vai recolher na paz serena dos espaços os frutos de uma existência de labores e de provações.
Deus poderoso, sê misericordioso para com ele. Abre-lhe teus vastos horizontes luminosos; permite que ele goze dos esplendores e das harmonias de teu universo infinito.
Faz, Senhor, que, nesse espetáculo grandioso, no estudo que vai fazer do universo, ele obtenha com uma compreensão mais ampla de tua lei, um desejo ardente de trabalhar em sua evolução e na de seus semelhantes.
Saibam, todos os que me escutam, que são mentirosas inscrições de que estamos rodeados e que Aqui jaz um tal; aqui repousa alguém “. Não há mais nada sob o solo, a não ser os restos de vestimentas usadas.
A vida livre do Espírito no espaço é uma vida de atividade e de útil labor; segundo suas capacidades e seu grau de adiantamento, o Espírito recebe missões, que contribuem para elevá-lo mais alto, na escala infinita: missões de proteção para com os que ele deixou na Terra, atendendo que eles vão reencontrá-lo no Além (falar aqui da viúva, dos filhos, se for necessário), missões de ensino e de educação em proveito dos Espíritos inferiores; missões de inspiração e de assistência para com os humanos que desenvolvem uma nobre tarefa ou que sofrem o peso de provas cruéis.
A vida do espírito não é uma bela contemplação, porém, uma ação constante, em vista de sua elevação e a de todos.
Lembremos aqui o que foi a vida de nosso irmão, isto é, uma vida de labores e de abnegação (enumerar as qualidades do desencarnado). Uma força sempre o assistiu, no meio de suas provas: foi sua fé profunda na vida futura, sua crença no mundo invisível, na justiça eterna, sua crença nas vidas renascentes pelas quais o ser se eleva de grau em grau na escalada dos mundos. Numa palavra, foi o Espiritismo que o sustentou e consolou, fortificou em suas lutas e em seus males.
Esta grande doutrina é, ao mesmo tempo, antiga e nova, porque a verdade é de todos os tempos. Após ter sido esquecida, ela se reanima hoje; ela se expande com um poder e uma rapidez maravilhosa, atrai para si a elite dos pensadores e dos sábios do mundo inteiro. Traz-nos dados precisos, certezas sobre nossa verdadeira natureza, sobre nosso futuro além túmulo, sobre nossos destinos imortais.
Observem, esta doutrina se apóia em um conjunto imponente de fatos, de provas experimentais, que constituem uma ciência vasta e profunda.
De hoje em diante, está feita a prova de que a morte é apenas uma aparência. Os que acreditamos perdidos, revivem de uma vida mais alta e estão, muitas vezes, perto de nós. Comunicações são estabelecidas entre os vivos e os mortos e logo eles se sentirão unidos em uma obra comum de solidariedade e de progresso.
E esta ciência, esta doutrina se manifesta em uma época em que as provas se multiplicam, onde a existência se torna áspera, mais difícil, onde conflitos surgem a cada instante entre as raças, entre os povos, entre as classes sociais.
As lições de guerra, embora tão brilhantes, não nos aproveitaram e uma onda de ódio, de ardentes cobiças, de imoralidade passa pelo mundo; novos males nos ameaçam.
E nesta hora que a voz dos Espíritos se eleva para nos lembrar que há, acima de nós, leis eternas que não se violam impunemente e cuja aplicação pode, por si só, trazer entre nós a paz, a segurança, a harmonia social.
Essa voz vem despertar em nossas consciências perturbadas a noção dos deveres e das responsabilidades, lembrar a todos que o bem, como o mal recaem sobre seus autores e que a alma colhe infalivelmente, em suas vidas sucessivas, tudo o que semeou.
Essa voz, X (o desencarnado) a ouviu; esses ensinamentos, ele os compreendeu. Toda a sua vida foi também boa e exemplar.
E eis porque nós, que partilhamos de suas crenças, nós que temos fé na sobrevivência e imortalidade, estamos nessa sepultura para dizer ao Espírito invisível, mas não ausente, não este adeus final, que se ouve tão freqüentemente retumbar sobre as campas, porém, um cordial até logo! Até logo, nessa vida nova que se abre diante dele, nessa vida superior, onde nós nos reencontraremos todos
O que é espirito
61. O que é o Espírito?
R. E uma substância imaterial, indivisível, imortal, princípio inteligente do universo.
62. Podemos-nos ver e compreender o Espírito?
R. Não. Sua natureza íntima nos é desconhecida; não conhecemos ainda a essência dos seres, nem das coisas; mas nós a chamamos espírito por oposição à matéria.
63. Que são os Espíritos?
R. São os seres inteligentes, vivendo de uma vida pessoal e consciente, destinados a progredir indefinidamente para a Verdade, o Belo, o Bem eternos.
64. Há muitas classes de Espíritos?
R. Sim. Há inicialmente, o Espírito Puro, que é Deus; há os Espíritos que vivem livres no espaço; e, afinal, os Espíritos encarnados, isto é, as almas revestidas de um corpo material, habitando a Terra e os outros mundos.
65. Que é Deus?
R. É o Espírito Puro, increado, eterno, causa inicial e ordenadora do universo.
66. Pode-se definir Deus?
R. Deus é indefinível. Definir é limitar; ora, Deus é infinito; ele é o círculo eterno cujo centro está por toda à parte e a circunferência, em parte alguma.
67. Não se pode, pois, penetrar nunca a natureza íntima de Deus?
R.Nunca. Deus é como o sol; se o olharmos em seus raios, ele nos ilumina.
68. Pode-se provar a existência de Deus?
R. De uma forma direta e sensível, não; porque ele não está sob nossos sentidos.
69.0 universo, entretanto, não prova a existência de Deus?
R. Sim. Mas não o mostra. Deus se oculta sob o véu transparente das coisas, como para nos forçar a procurá-lo e nos proporcionar o gozo de descobri-lo.
70. Onde está Deus?
R. Em toda a parte, porque seu Ser infinito não pode estar circunscrito em nenhum lugar
71. 0 homem não traz consigo a idéia de Deus?
R. Sim. A idéia de Deus está no fundo da consciência humana, como as estrelas no fundo da noite. De todas as provas de sua existência esta é a mais segura e a melhor, porque é inata na alma, como um reflexo da verdade eterna.
72. Deus é único no infinito?
R. Sim. Deus é único, porque não há senão um único Deus; porém ele não está solitário, porque a vida universal evolui nele, por ele e em torno dele.
73. Os Espíritos estão, portanto, em torno de Deus?
R. Sim. Deus é o lugar dos Espíritos, isto é, o foco eterno de luz e de amor, no qual vêm se iluminar todas as inteligências.
74. Como vivem os Espíritos no espaço?
R. Os Espíritos superiores vivem de uma vida puramente fluídica, isto é, desprendida da matéria, na proporção de seu grau de adiantamento espiritual; os Espíritos inferiores, ainda entorpecidos pelo peso da materialidade erram nas esferas mais baixas, esperando que seu desprendimento completo se realize.
75. Um espírito desencarnado pode, então, estar ainda ligado à matéria?
R. Sim. Porque o perispírito permanece impregnado dos fluidos pesados, que o impedem de deslocar-se no espaço, como a asa de um pássaro, que se arrastou na lama, o impede de se elevar para o céu.
76. como vivem os Espíritos inferiores?
R. Numa vida inquieta e atormentada; eles percorrem, sem destino certo, as regiões crepusculares da erraticidade, sem poderem compreender seu estado, nem achar seu caminho: é o que se chama de almas penadas.
77. Os Espíritos inferiores são nocivos?
R. Alguns o são; e sua má influência sobre os homens deu lugar à crença nos demônios.
78. Os demônios, então, não existem?
R. Não; há maus Espíritos, porém, os que são chamados de demônios ou espíritos eternamente maus, não existem; nem o mal, nem os maus podem ser eternos.
79.Os maus Espíritos podem, então, exercer influência sobre os homens?
R. Sim. Sobre os homens maus, que os invocam, ou sobre os homens fracos, que se entregam a eles, daí os freqüentes fenômenos da possessão e da obsessão.
80. Como os homens podem entrar em relação com os maus Espíritos?
R. Por meio dos fluidos e em virtude da lei de afinidade espiritual: "Quem se assemelha, se ajunta."
81. Há muitas classes de Espíritos maus?
R. Há os Espíritos simplesmente inferiores, tais como os Espíritos levianos, imperfeitos, zombeteiros, que nossos pais chamavam de duendes, os brincalhões, e que gostam de travessuras de toda espécie; depois há os Espíritos perversos, que induzem os homens ao mal, pelo prazer de fazer o mal, e os que como os Espíritos batedores, habitam as casas mal-assombradas
82. Mas há também bons Espíritos?
R. Sim, e é o maior número. A Antigüidade os denominava bons gênios; a religião os chama anjos da guarda; os espíritas os conhecem pelo nome de Espíritos familiares ou Espíritos protetores.
83. Cada homem tem um Espírito protetor ligado à sua pessoa?
R. Ordinariamente, temos muitos. São parentes, amigos que nos conheceram ou amaram; ou ainda Espíritos cuja missão consiste em proteger os homens, guiá-los na senda do bem, e que progridem, eles próprios, trabalhando pelo adiantamento dos outros.
84. Os homens, neste mundo, e os Espíritos, no outro, trabalham de comum acordo?
R.Certamente. Tudo se liga e se encadeia no universo: Os corpos, por suas irradiações, atuam uns sobre os outros; o mesmo acontece no domínio dos Espíritos. Tudo que os homens fazem de bem, de belo, de grande na Terra, lhes é inspirado, muitas vezes, por influências invisíveis: é por essa lei de solidariedade moral que Deus governa o universo.
85. Assim, a história humana é ditada pelo mundo invisível?
R. Sim. Deus a dita, os Espíritos a traduzem e os homens a cumprem. Toda a filosofia dos séculos está encerrada nestes três termos. Mas é preciso levar em conta a liberdade humana que, muitas vezes, entrava as vistas de mais alto. Daí, vêm às contradições aparentes da história.
Analise da mediunidade
0 fenômeno da mediunidade é complicado e exige certas explicações. Todos os que estudaram alguma coisa das ciências ocultas sabem que o homem tem um organismo fluídico invisível, invólucro inseparável da alma, que progride, se aperfeiçoa e se purifica com ela.
0 corpo físico, com seus cinco sentidos, não é senão sua representação grosseira, sua prolongação no plano material. Os sentidos psíquicos, sufocados debaixo da carne na maioria dos homens, recobram uma parte de seus meios de ação e de percepção, durante o sono e depois da morte.
Este invólucro sutil é na realidade nossa verdadeira forma indestrutível, anterior ao nascimento e sobrevivente à morte.
Ele é o assento permanente das faculdades do espírito, enquanto que o corpo material não é senão uma espécie de vestimenta emprestada.
Esta forma elástica e comprimida explica o fenômeno do crescimento por sua ação sobre o corpo do menino, que ele faz desenvolver até que alcance seu tamanho normal.
A mediunidade é, pois, o poder que possuem certos seres de exteriorizar esses sentidos profundos da alma que, na maioria de nós, permanecem inativos e guardados durante a vida terrestre; é uma maneira de penetrar por antecipação no mundo dos Espíritos.
Em muitos casos, não são os Espíritos que vêm ao médium, senão este quem vai até eles. A célebre vidente de Prévorst se queixava um dia de que os Espíritos se metiam em sua vida íntima. E estes a contestaram: "Não somos nós que viemos a ti; és tu quem vem a nós."
A mediunidade é, pois, por excelência, a reveladora das potências da alma; é também, um resumo de nosso modo de vida e de percepção no Mais-Além. Desta forma apresenta um duplo interesse.
A participação do médium em muitos fenômenos é grande e não se pode desconhecer que, geralmente, sua personalidade desempenha neles um certo papel. Mas, à medida que suas faculdades se desenvolvem, torna-se mais consciente da parte que se lhe pode atribuir e da que corresponde aos Espíritos, especialmente nos fenômenos de escrita.
Entre os médiuns em desenvolvimento, o cérebro é comparável a um teclado incompleto, ou melhor dizendo, a uma placa fotográfica desigualmente sensibilizada, que registra de uma forma imperfeita as imagens e os pensamentos que deve reproduzir.
0 pensamento do Espírito não está representado senão por trechos de frases e fragmentos de idéias. Impõe-se a necessidade, pois, para este de encher as lacunas, utilizando termos e imagens tomados dos costumes do médium.
Em muitos fenômenos, dizemos, se encontra uma parte atribuída ao médium, a seu próprio fundo de idéias, de conhecimentos e de expressões.
Com efeito, entre pensar e expressar-se com o próprio cérebro e fazê-lo por intermédio de um cérebro estranho há uma grande diferença.
Nosso órgão cerebral está adaptado por um prolongado e constante adestramento a nossa mentalidade pessoal e revela um dos aspectos de nosso "eu". Não ocorre o mesmo com um cérebro estranho e temos que compreender as dificuldades que experimentam certos Espíritos para comunicar se de modo tão claro e preciso como quando estavam na Terra.
Esta dificuldade, que é muito acentuada nos fenômenos de escrita, se encontra, também, ainda em menor grau, nos fenômenos de incorporação.
Assim, nosso guia, que dispõe de uma vontade e de uma força psíquica excepcionais, e que sabe tomar plena posse dos médiuns que utiliza, serviu-se algumas vezes de termos graciosos, que não lhe eram familiares e que tirava do vocabulário do médium.
A espessa cortina que nos separa do além-túmulo permanece impenetrável, para o homem revestido de seu manto carnal; porém, o espírito exteriorizado do médium, assim como o espírito livre do morto, pode atravessá-la com a mesma facilidade que um raio de sol atravessa uma teia de aranha.
É suficiente somente a exteriorização de um só de seus sentidos psíquicos para que o médium perceba os ruídos, as vozes, as formas do mundo invisível.
A intervenção dos Espíritos não é, pois, necessária em certos fenômenos, como os de visão e audição.
Porém, se o médium é capaz de penetrar em Além-Túmulo por suas próprias faculdades, não seria incapaz de transmitir aos vivos as mensagens dos habitantes dessas regiões.
Inclusive, pode, nos casos de incorporação, proporcionar-lhes os meios de manifestar-se aos humanos com tanta precisão e intensidade como-se
o tivessem feito durante sua permanência na Terra, com seu próprio organismo.
0 fenômeno da incorporação permite aos Espíritos dar-nos provas de identidade mais abundantes e mais convincentes que qualquer outro dos procedimentos de comunicação. Os que conheceram o morto não podem confundir-se: a voz, os trejeitos, as idéias emitidas constituem outros tantos elementos de certeza no que concerne à personalidade do manifestante, especialmente quando se sabe que o médium não pôde conhecê-lo, nem recorrer a nenhum informe sobre sua maneira de ser e seus costumes.
Eu pude dispor durante mais de trinta anos de uma excelente médium falante, por meio da qual podia comunicar-me com o Além-Túmulo e receber as instruções necessárias para prosseguir meus trabalhos.
Tive a desgraça de perder esta médium nos fins de 1917 e, desde então, tornaram-se bastante limitadas as relações com meus guias.
Depois dá anos de uma privação cruel, num certo dia de verão, vi chegar duas senhoras parisienses portadoras de uma carta de recomendação do Senhor Leymarie, e que vinham passar um mês de férias na Touraine. Eram-me completamente desconhecidas.
Durante o transcurso de uma conversação, falando de um cego, meu amigo, que havia obtido comunicações escritas, estas senhoras expressaram o desejo de vê-lo trabalhar. Organizei uma pequena sessão.
Ignorava eu, todavia, que uma delas era médium, pois não me havia dito nada. Assim minha surpresa foi grande quando logo a vi caída em transe e ouvi uma voz forte que anunciava a presença de meu guia, do poderoso Espírito cujos sábios conselhos e terna solicitude me dirigiram e sustentaram sempre em minhas tarefas de propagandista.
Durante a conversação que entabulamos, de quase uma hora, este Espírito me expôs seus pontos de vista acerca da situação do Espiritismo, falando-me de nossos trabalhos comuns no passado com detalhes minuciosos, que a médium não podia conhecer em absoluto. Todos os assistentes que há muito haviam participado das sessões que descrevi em meu livro "No Invisível", reconheceram Jerônimo de Praga, enquanto a médium ignorava completamente tudo quanto se referia a esse espírito eminente.
Após um instante de repouso, outra entidade inteiramente diferente se comunicou e pudemos ouvir a doce voz da senhora Forget.
Madame Forget era a médium preciosa a quem me refiro mais acima, já liberada então de seus laços terrestres.
Com essa jovialidade que a caracterizava fez com que a reconhecessem em seguida seus amigos presentes, e nos disse que, vendo-me privado de sua presença, em conseqüência de sua partida, de toda relação com o Além-Túmulo, pôs-se em campo, "pulando como um rato". A força de procurar, havia terminado por descobrir uma médium capaz de substituí-Ia. Ajudada por Jerônimo de Praga, havia sugerido à dita senhora que viesse a Tours para se pôr à minha disposição.
Ambas as senhoras parisienses criam perfeitamente, ao virem à minha casa, que realizavam suas próprias intenções. 0 que demonstra, uma vez mais, que os homens cedem, mais rapidamente do que geralmente crêem, à influência dos Espíritos.
No transcurso da mesma sessão, um incidente veio proporcionar-nos uma notável prova de identidade.U m de nossos médiuns escreventes registrou, com ajuda de um benevolente Espírito, a queixa de um suicida que implorava a ajuda de nossas orações. Este suicida lamentava sua situação dolorosa em termos que permitiram reconhecê-lo.
Uma senhora vizinha, que veio convidada por um membro do grupo e assistia pela primeira vez a uma reunião espírita, manifestou a princípio seu ceticismo acerca dos fenômenos obtidos. Porém, ao ler a última comunicação, empalideceu, perturbou-se e declarou que se tratava de seu pai, de seu próprio pai, que se havia enforcado, há alguns meses, em conseqüência de reveses de fortuna. Este fato nos foi confirmado posteriormente por outros habitantes da mesma localidade.
Afirmei que o Espiritismo é a religião da família. Com efeito, as relações constantes que nos permite manter com nossos queridos mortos, são em nossa vida, outros tantos elementos de força moral e de elevação.
Nossas reuniões íntimas são sempre um doce consolo e conforto. Por exemplo: em 2 de novembro passado, dia dos mortos, nos reunimos em uma
sessão, na qual, por dois médiuns em transe, nossos queridos invisíveis vieram uma vez mais conversar conosco.
Enquanto as multidões invadiam os cemitérios em busca de uma forma tangível de recordação, nós comungávamos com nossos amigos do espaço, no recolhimento do pensamento e na doce intimidade do coração.
Depois dos ensinamentos de Jerônimo de Praga e de Allan Kardec, escutamos as narrativas humorísticas de Massenet.
Logo, presenciamos uma cena emotiva, na qual o Espírito da mãe de um amigo nosso, cego, veio proporcionar a seu filho e à sua nora advertências e ternas exortações que lhes arrancaram soluços. Deu-lhes conselhos preciosos acerca de uma situação delicada. E tudo isso por intermédio de um médium que não havia conhecido o dito espírito.
Numa palavra, tivemos durante algumas horas toda a gama de sensações e emoções em uma linguagem que ia do grave ao doce, do gracioso ao severo, e que nos causou uma profunda impressão. Ao nos separarmos, sentimos que os laços que nos uniam à nossa família espiritual haviam se estreitado ainda mais e que algo de serenidade dos grandes espaços havia descido às nossas almas.
0 fenômeno espírita, dizíamos, varia de natureza e de intensidade segundo as aptidões dos médiuns. Se na ordem dos fatos materiais o espírito busca sobretudo os médiuns depositários e transmissores de forças radiantes, na ordem intelectual dedicará sua atenção, de preferência, aos que, por terem uma certa cultura, lhe oferecem recursos mais amplos para a eclosão de expressões e idéias.
É muito difícil a um Espírito produzir mensagens de forma literária ou científica por meio de um cérebro inculto. Se, com um grande esforço de
Vontade pode fazer expressar por esse cérebro nomes, palavras, datas que não se acham registrados de antemão, não lhe é possível prolongar esse esforço por muito tempo.
"Quando se nos oferece uma corneta, dizia um Espírito, não podemos obter dela os sons de uma harpa".
Outro se servia da seguinte comparação: "Nós experimentamos a mesma repugnância em nos servirmos de um cérebro inculto como uma delicada mão de mulher se serve de um enorme ferrolho enferrujado."
Acontece, às vezes, nas sessões, que vários médiuns escreventes obtêm simultaneamente mensagens firmadas com o mesmo nome, expressando idênticas idéias, embora com formas diferentes. Por isso, entre os assistentes, se fazem muitos comentários salpicados de suspeitas e de críticas. Temos que colocar esses fatos entre as fraudes e as imposturas ou ver neles a intervenção de espíritos pouco escrupulosos?
Eis aqui o que nos diz, a esse respeito, um de nossos guias:
"A telegrafia sem fios revelou que uma faísca elétrica produzida por corrente de alta freqüência envia ondas em todas as direções. E estas ondas podem ser captadas por aparelhos receptores dispostos igualmente em todas as direções. Uma mesma mensagem pode ser, pois, percebida ao mesmo tempo por vários ouvintes. Este fenômeno se baseia numa lei que se aplica também às emissões fluídicas. Estas, no lugar de serem produzidas por um dínamo, podem sê-lo por um pensamento dirigido voluntariamente, de certa maneira. Um espírito encarnado ou desencarnado pode, pois, produzir, em determinadas condições, uma chispa exatamente igual à das correntes de alta freqüência e enviar ondas em todas as direções., Estas ondas podem ser percebidas por sensitivos encarnados ou desencarnados que façam as vezes de receptores. Um espírito desencarnado pode influir perfeitamente, segundo estas leis e no mesmo instante, sobre vários médiuns, sem se mover do plano que habitualmente ocupa; e assim poderá enviar uma mensagem escrita, numa mensagem visual (transmissão de imagens por televisão), uma mensagem auditiva, etc... conforme os médiuns atuados e, como as faculdades intelectuais são mais sensíveis em nosso plano do que no vosso, poderá ditar a seus médiuns várias mensagens de diferentes teores, sem ter necessidade, por isso, de se deslocar."
Quanto ao problema da subconsciência, que tem sido complicado e enrolado à vontade, se resume simplesmente pela ação em nós e fora de nós, desse centro psíquico do qual já falamos, onde se fundem, em um único sentido, todos os meios de percepção e de sensação da alma. Inconsciente, subconsciente, subliminal, ego superior, não são senão palavras para designar um mesmo princípio, o centro de nosso "eu", de nossa inteligência, de nossa consciência plena e íntegra.
Por seu desprendimento parcial ou total do corpo físico, esse centro recobra seu poder de irradiação, e ao mesmo tempo se despertam neles as recordações, os reconhecimentos, as aquisições adormecidas em estado de vigília e que os séculos passados foram acumulando no fundo do ser. Nessas condições, o médium pode penetrar nos mundos visível e invisível e recolher e transmitir seus ecos, seus rumores, seus ensinamentos.
A telepatia, a psicometria, a premonição, a leitura do futuro, os fenômenos da intuição e até certos fatos de ordem magnética se referem a esta forma de ação. A mediunidade constitui, pois, a possibilidade de irradiar nossas forças e nossos sentidos ocultos. Nesse estado, o médium oferece mais facilidade e rapidez ao Espírito para manifestar-se.
Nos fenômenos de escrita, o Espírito pode dirigir-se seja ao subconsciente, seja à consciência normal do médium. 0 subconsciente, no primeiro caso, transmite ao cérebro as sugestões do manifestante, porém, o médium não perceberá tão vivamente a personalidade estranha que se manifesta nele. Então sua influência pessoal será preponderante e inevitável.
0 médium pode, pois, entrar em relação com o Além-Túmulo de duas maneiras: por dissociação de seu centro psíquico, que lhe permite exercitar seus sentidos no mundo invisível e penetrar em seus mistérios, ou pela ação direta dos espíritos sobre seu organismo fluídico, por meio de transe, da escrita, da mesa, da prancheta, etc... 0 primeiro procedimento é o mais eficaz, porque sua aplicação repetida aumenta pouco a pouco o poder de irradiação do médium e lhe abre o acesso aos planos superiores; assim adquire a plenitude do seu "eu" pela união íntima da consciência superior com a consciência física.
Por outro lado, essa é a finalidade geral da evolução da alma: ampliar incessantemente o campo de suas irradiações e de suas percepções; ao mesmo tempo é uma forma de preparação para a vida no Espaço, a possibilidade de gozar suas profundas alegrias e sua harmonia sublime.
Na realidade, pode-se dizer que a mediunidade preenche toda a História. Ela é um dos focos que iluminam de século em século a marcha da Humanidade.
Os inventores, os poetas, os escritores célebres, quase todos aqueles a quem classificamos de gênios, tinham os sentidos psíquicos mais desenvolvidos e recebiam as inspirações de altas entidades do Espaço. Parece corro se um vasto programa se desenvolvesse através do tempo. As invenções, os descobrimentos se sucedem numa ordem prevista para marcar as etapas da civilização.
Neste imponente rol, a mulher tem uma parte considerável, sem falar de Joana D'Arc, cuja missão salvou a França no século XV, missão que estudamos em outra parte, com todos os detalhes; recordemos sobre este ponto a opinião de "Paracelso", o grande médico do Renascimento. Depois de lançar ao fogo seus livros de medicina, declara: "É das bruxas de quem aprendi tudo quanto sei de prático e benéfico." Michelet em "La Sorcière", se exprime da mesma forma. Sabido é que na Idade Média e durante o Renascimento todos os médiuns eram considerados como bruxos. Ainda hoje o é entre as mulheres de quem citamos as mais notáveis faculdades psíquicas.
Recordemos também que os grandes predestinados, os profetas, os fundadores de religiões, todos os mensageiros da verdade e do amor mantiveram comunicação com o Invisível. Graças a eles se estendeu pelo mundo o pensamento divino. Suas palavras e seus ensinos brilham como relâmpagos em nossa noite e formam outras tantas brechas sobre o desconhecido, sobre o Infinito.
Podem comparar-se a esses clarões que se produzem entre as nuvens quando há tempestades, mostrando-nos o céu azul profundo, luminoso, para ocultar-se em seguida. Porém, esse instante basta para nos permitir entrever a vida ascensional e a grande hierarquia das almas que se escalonam na I luz, de círculo em círculo, de esfera em esfera, até Deus.
Em torno de nós flutua, na atmosfera, a multidão de inúmeras almas inferiores e atrasadas, presas por seus fluidos grosseiros à esfera de atração dá Terra e de cujos vícios não se livraram com a morte. Porém, acima dos tristes horizontes de nosso globo, planam as legiões de Espíritos protetores, benfeitores, de todos aqueles que só esperam pelo Bem, pela Verdade, pela Justiça. A escala das inteligências e das consciências vai graduando-se até às almas poderosas e radiantes, depositárias das forças divinas.
As vezes, essas altas entidades interferem na vida dos povos.
Não o fazem sempre de um modo tão notório como na epopéia de Joana D'Arc. Geralmente sua ação é de menos relevo, mais obscura, porque se as potências invisíveis, se Deus mesmo desejam ser conhecidos, também desejam que o homem faça seu esforço e lute para conhecê-los.
Quanto à eleição dos meios e formas que esses grandes Seres utilizam, temos que recordar que nosso saber é muito restrito e nossas medidas muito curtas para abarcar os vastos pianos do Invisível. Porém, os fatos aí estão incontestáveis, inegáveis, como pudemos ver no transcurso da guerra passada.
De tempos em tempos, através da obscuridade que nos envolve, no fluxo e refluxo dos acontecimentos, nas horas decisivas dá História, quando uma sociedade, uma nação ou a própria Humanidade se acha em perigo, uma emanação, uma delegação do poder supremo interfere para reagir contra o mal.
Vem mostrar aos homens que há, acima da Terra, infinitos recursos e sociedades melhores, às quais podemos chegar desde já com nossos pensamentos e chamadas e que um dia lograremos alcançar por nosso próprio mérito e esforço.
A arte na espiritualidade
Fico contente em poder lhes falar de uma arte que foi minha constante preocupação. Cem vezes vocês têm razão de defender a causa da arte e de colocá-la em paralelo na Terra e no espaço. A arte tem essência divina, é uma manifestação do pensamento de Deus, uma radiação do cérebro e do coração de Deus transmitida sob- a forma artística.
Porém muitas coisas do plano divino não podem ser transmitidas aos homens. A arte, sob a forma de inspiração, faz parte desse todo maravilhoso que compõe o universo. É o lampejo, ou, antes, a centelha que estabelece a relação entre Deus e suas criaturas.
Vocês poderão se perguntar quais são os reflexos que guardamos da arte após termos passado por uma série de existências em diferentes mundos. Vou tentar lhes dizer.
Na Terra a arte é ainda pouca coisa, e vocês se contentam com isso. A arte existe em todos os domínios: no do pensamento, da escultura, da música. É nesta última que ela melhor se manifesta e torna-se acessível a mais cérebros. Primeiramente, quando o espírito humano encarna na Terra e leva consigo - seja de sua vida no espaço, seja em conseqüência de um trabalho anterior em vidas terrestres - certa noção de ideal estético, tão logo ele chega à maturidade na vida terrestre sua bagagem artística exterioriza-se sob a forma de inspirações reunidas a uma qualidade mestra que chamaremos de gosto reunido ao sentido do belo. Eis, pois, o artista criado e apto a trabalhar sobre a matéria.
Quando esse artista completa uma vida de trabalho, retorna ao espaço. Lá, sai de seu ser uma infinidade de pensamentos que ele deseja concretizar. Nesse meio fluídico ele terá todo o material necessário para reconstituir o que seu pensamento aprisionado na carne não pôde realizar numa única existência.
O espírito não possui órgão visual, porém o pensamento reúne todos os sentidos. Primeiramente ele revê em sua memória as mais belas coisas que lhe impressionaram o cérebro na existência precedente. Se ele viveu em um meio elevado, graças às diretrizes adquiridas, os quadros que desfilarão em seu pensamento serão verdadeiramente inspirados pelo culto do belo. Portanto, nosso ser espiritual, através de seu trabalho, será em pouco tempo transportado a um meio fluídico suficientemente puro, desligado de parcelas materiais, e lá ele poderá receber, pela recordação, o reflexo artístico de suas vidas anteriores. Pelo simples querer, tudo se concretizará com o auxílio dos fluidos ambientes. Era pintor esse espírito? Seu pensamento refletirá os quadros dos mestres que conheceu e amou. Era ele escultor? As formas antigas ou clássicas, ou as de sua época aparecerão na tela de seu pensamento. Depois, com o tempo, outros espíritos, não atraídos pela arte, mas desejosos de se elevarem a um plano superior, agrupar-se-ão em torno dos seres que, por seu trabalho e elevação, pairam em regiões fluídicas mais puras. Esses seres, que se aproximam do artista, receberão mais facilmente o pensamento deste último; através de um trabalho prolongado estabelecer-se-á uma fusão do espírito do profano com o espírito do artista. Pouco a pouco o profano receberá em sua mente os quadros e as cenas artísticas de seu mestre espiritual e poderá, então, experimentar alegrias estéticas muito grandes e tornar-se, ele próprio, artista em uma futura existência, uma vez que terá retirado para si os primeiros elementos da arte no contato com um ser mais adiantado do que ele.
É assim, em geral, que os meios artísticos se perpetuam da Terra ao espaço, do espaço a Terra, e em outros mundos, pois existem muitas esferas onde os meios de criação artística são mais ricos do que no globo terrestre.
Devo acrescentar que os espíritos, através de trocas de pensamentos, podem criar formas com o auxílio da gama de cores, que é infinita no espaço: quanto mais elevados são os planos, mais desenvolvida é a gama de cores.
Na atmosfera terrestre não podemos exteriorizar nosso pensamento de maneira nítida e precisa. É como se quisesse projetar o pensamento sobre uma tela cinzenta, em vez de sobre uma tela branca.
Às vezes os espíritos se reúnem entre si, trocam formas através de seus pensamentos, criam quadros variados. Se entre eles encontra-se um espírito que viveu em um mundo superior, ele faz com que seus irmãos menos privilegiados aproveitem os recursos artísticos que ele pôde adquirir. O criador dessas cenas tem o poder de destruir imediatamente o que seu pensamento criou. Essas cenas são, portanto passageiras e pessoais ao espírito; porém aqueles que têm o desejo de elevação podem tirar proveito dessa projeção artística, constituída pela combinação das moléculas fluídicas retiradas do meio ambiente.
O Espiritismo é a ciência nova que vem revelar aos homens, por meio de provas irrecusáveis, a existência e a natureza do mundo espiritual e as suas relações com o mundo corpóreo. Ele no-lo mostra, não mais como coisa sobrenatural, porém, ao contrário, como uma das forças vivas e sem cessar atuantes da Natureza, como a fonte de uma imensidade de fenômenos até hoje incompreendidos e, por isso, relegados para o domínio do fantástico e do maravilhoso. É a essas relações que o Cristo alude em muitas circunstâncias e daí vem que muito do que ele disse permaneceu ininteligível ou falsamente interpretado. O Espiritismo é a chave com o auxílio da qual tudo se explica de modo fácil.
A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.
É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.
Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, nº 5 O Espiritismo)
A lei do Antigo Testamento teve em Moisés a sua personificação; a do Novo Testamento tem-na no Cristo. O Espiritismo é a terceira revelação da lei de Deus, mas não tem a personificá-la nenhuma individualidade, porque é fruto do ensino dado, não por um homem, sim pelos Espíritos, que são as vozes do Céu, em todos os pontos da Terra, com o concurso de uma multidão inumerável de intermediários.
É, de certa maneira, um ser coletivo, formado pelo conjunto dos seres do mundo espiritual, cada um dos quais traz o tributo de suas luzes aos homens, para lhes tornar conhecido esse mundo e a sorte que os espera.
Assim como o Cristo disse: “Não vim destruir a lei, porém cumpri-la”, também o Espiritismo diz: “Não venho destruir a lei cristã, mas dar-lhe execução.” Nada ensina em contrário ao que ensinou o Cristo; mas, desenvolve, completa e explica, em termos claros e para toda gente, o que foi dito apenas sob forma alegórica. Vem cumprir, nos tempos preditos, o que o Cristo anunciou e preparar a realização das coisas futuras. Ele é, pois, obra do Cristo, que preside, conforme igualmente o anunciou, à regeneração que se opera e prepara o reino de Deus na Terra. (Fonte: O Evangelho Segundo o Espiritismo, cap. I, nº 5 O Espiritismo)
"O Espiritismo esclarecido, como o é hoje, procura destruir as idéias supersticiosas, mostrando o que há de real ou de falso nas crenças populares, denunciando o que nelas existe de absurdo, fruto da ignorância e dos preconceitos.
O sobrenatural desaparece à luz do facho da Ciência, da Filosofia e da Razão, como os deuses do paganismo ante o brilho do Cristianismo. Sobrenatural é tudo o que está fora das leis da Natureza, O positivismo nada admite que escape à ação dessas leis; mas, porventura, ele as conhece a todas?
Em todos os tempos foram reputados sobrenaturais os fenômenos cuja causa não era conhecida; pois bem: o Espiritismo vem revelar uma nova lei, segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto é um fato tão natural, como o que se dá por intermédio da eletricidade, entre dois indivíduos separados por uma distância de cem léguas; o mesmo acontece com os outros fenômenos espíritas.
O Espiritismo repudia, nos limites do que lhe pertence, todo efeito maravilhoso, isto é, fora das leis da Natureza; ele não faz milagres nem prodígios, antes explica, em virtude de uma dessas leis, certos efeitos, demonstrando, assim, a sua possibilidade. Ele amplia, igualmente, o domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência; como, porém, a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais, o código das conseqüências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina filosófica.
Deste último ponto de vista, ele corresponde às aspirações do homem, no que se refere ao seu futuro; e como a sua teoria do futuro repousa sobre bases positivas e racionais, ela agrada ao espírito positivo do nosso século."
O sobrenatural desaparece à luz do facho da Ciência, da Filosofia e da Razão, como os deuses do paganismo ante o brilho do Cristianismo. Sobrenatural é tudo o que está fora das leis da Natureza, O positivismo nada admite que escape à ação dessas leis; mas, porventura, ele as conhece a todas?
Em todos os tempos foram reputados sobrenaturais os fenômenos cuja causa não era conhecida; pois bem: o Espiritismo vem revelar uma nova lei, segundo a qual a conversação com o Espírito de um morto é um fato tão natural, como o que se dá por intermédio da eletricidade, entre dois indivíduos separados por uma distância de cem léguas; o mesmo acontece com os outros fenômenos espíritas.
O Espiritismo repudia, nos limites do que lhe pertence, todo efeito maravilhoso, isto é, fora das leis da Natureza; ele não faz milagres nem prodígios, antes explica, em virtude de uma dessas leis, certos efeitos, demonstrando, assim, a sua possibilidade. Ele amplia, igualmente, o domínio da Ciência, e é nisto que ele próprio se torna uma ciência; como, porém, a descoberta dessa nova lei traz conseqüências morais, o código das conseqüências faz dele, ao mesmo tempo, uma doutrina filosófica.
Deste último ponto de vista, ele corresponde às aspirações do homem, no que se refere ao seu futuro; e como a sua teoria do futuro repousa sobre bases positivas e racionais, ela agrada ao espírito positivo do nosso século."
O espiritualismo experimental
O ESPIRITUALISMO EXPERIMENTAL
Em nossos dias, mais do que nunca, o Espiritismo chama a atenção do público. Trata-se com freqüência de casas mal-assombradas, de fenômenos de telepatia, de aparições e materializações de espíritos.
A ciência, a literatura, o teatro e a imprensa deles se ocupam constantemente; e as experiências do Instituto Metapsíquica, os testemunhos do grande escritor inglês Conan Doyle e as averiguações feitas por alguns jornais parisienses dão a esta questão um caráter de atualidade permanente.
Examinemos, pois, este problema e averigüemos por que o Espiritismo, tão freqüentemente sepultado, reaparece sem cessar e cresce dia-a-dia o número de seus partidários.
Não é por acaso uma coisa estranha?
Talvez, na História, jamais se tenha produzido nada igual.
Nunca se viu um conjunto de fatos, considerados impossíveis a princípio, cuja única idéia provocava, em geral, antipatia, receio, desdém; fatos que excitavam a hostilidade de várias instituições seculares, acabar por impor-se à atenção e até à convicção de homens cultos, competentes, autorizados por suas funções e por seu caráter.
Esses homens, no começo céticos, terminaram por reconhecer e afirmar a realidade dos aludidos fenômenos, depois de estudar, investigar e experimentar.
0 ilustre sábio inglês William Crookes, conhecido no mundo inteiro pelo descobrimento do estado radiante da matéria, que durante três anos obteve em sua casa materializações do espírito Katie King, em Condições de controle rigoroso, falava a propósito dessas manifestações: ''Eu não digo que isto seja possível, eu digo: isto é. Oliver Lodge, reitor da Universidade de Birmingham, membro da Sociedade Real, escreveu: "Fui levado pessoalmente à certeza da existência futura, por provas que repousam sobre uma base estritamente científica."
Frederico Myers, professor de Cambridge, a quem o Congresso Oficial Internacional de Psicologia de Paris, em 1900, elegeu Presidente de Honra, em seu admirável livro "A Personalidade Humana", chega à conclusão de que nos vêm de além-túmulo vozes e mensagens.
Falando da médium Mrs. Thompson, escreve: "Creio que a maioria destas mensagens vem de espíritos que se servem temporariamente do organismo dos médiuns para no-las dar."
0 célebre professor Lombroso, de Torino, na "Leitura": "Os fatos da casa de duendes, nas quais durante anos se reproduzem aparições e ruídos, de acordo com o relato de mortes trágicas observados sem a presença de nenhum médium, atestam em favor da ação dos mortos. Com freqüência, se trata de casas desabitadas, onde esses fenômenos se produzem durante várias gerações e muitas vezes durante séculos."
0 Senhor Boutroux, filósofo bem conhecido, dissertava, faz pouco, em brilhantes conferências acerca dos Espíritos e as comunicações medianímicas, assegurando que A porta subliminal é a abertura por onde o divino pode entrar na alma humana..
"Às vezes, dizia, as revelações espíritas é tão estranho que parece efetivamente o médium estar em comunicação com diferentes seres dos que lhe são acessíveis normalmente."
William James, reitor da Universidade de Harvard, New York, eminente psicólogo falecido há alguns anos, afirmava a verossimilhança das comunicações com os mortos, em seu estudo publicado em 1909, nos "Proceedings", acerca de seu amigo Hodgson, já falecido, que vinha conversar com ele pela mediunidade da senhora Piper. E escrevia que "Estes fenômenos dão a impressão irresistível de que é realmente a personalidade de Hodgson, com suas características próprias", e que "0 sentimento dos assistentes era de que conversavam com o verdadeiro Hodgson".
A origem do Espiritismo, o Espiritualismo moderno, está na América.
Na realidade, os fenômenos do Além-Túmulo se encontram na base de todas' as grandes doutrinas do passado. Em quase todos os tempos, o mundo dos vivos manteve relação com o Mundo Invisível. Porém, na índia, no Egito e na Grécia, esses estudos eram privilégio de um curto número de investigadores e de iniciados. Os resultados se ocultavam cuidadosamente.
Para que esse estudo fosse acessível a todos e se conhecessem as verdadeiras leis que regem o Mundo Invisível; para ensinar aos homens a ver nesses fenômenos, não uma ordem de coisas sobrenatural, senão um domínio ignorado da natureza e da vida, era necessário o trabalho enorme dos séculos, todos os descobrimentos da ciência, todas as conquistas do espírito humano sobre a matéria.
Era preciso que o homem conheça seu verdadeiro lugar no Universo, que aprendesse a medir a debilidade de seus sentidos e sua impotência para explorar, por si mesmo e sem ajuda, todos os domínios da natureza viva.
A ciência, com seus inventos, atenuou esta imperfeição de nossos órgãos.
0 telescópio abriu a nossos olhos os abismos do espaço; o microscópio nos revelou o infinitamente pequeno; assim surgiu a vida, tanto no mundo dos infusórios como na superfície dos globos gigantes que giram na profundidade dos céus.
A Física descobriu as leis que regulam a transformação das forças e a conservação da energia, e as que mantém o equilíbrio dos mundos.
A radioatividade dos corpos revelou a existência de poderes desconhecidos e incalculáveis: raios X, ondas "hertzianas", irradiações -de todas as classes e de todos os graus.
A Química nos fez conhecer as combinações da substância. 0 vapor e a eletricidade vieram revolucionar a superfície do globo, facilitando as relações entre os povos e as manifestações do pensamento, para que as idéias resplandeçam e se propaguem a todos os pontos da esfera terrestre. Hoje, o estudo do mundo invisível vem completar essa magnífica ascensão do pensamento e da ciência. 0 problema do Além-Túmulo se ergue frente ao espírito humano com poder e autoridade. Para fins do século dezenove, o homem, desenganado de todas as teorias contraditórias, de todos os sistemas incompletos que se lhe apresentavam, abandonava-se à dúvida: perdia, cada vez mais, a noção da vida futura.
Foi. Então quando o mundo invisível veio até ele e o perseguiu até sua própria morada. Por diversos meios, os mortos se manifestaram aos vivos. As vozes de Além-Túmulo falaram. Os mistérios dos santuários orientais, os fenômenos ocultos da Idade Média, após um largo silêncio, reapareceram.
0 Espiritismo nasceu.
As primeiras manifestações do Espiritualismo Moderno se produziram além dos mares; num mundo jovem, rico de energia vital, de expansão ardente, menos exposta que a velha Europa ao espírito de rotina e aos prejuízos do passado. Dali se espalharam por todo o globo. Essa eleição foi profundamente sensata.
A livre América era, com efeito, o ambiente mais propício para uma obra de difusão e de renovação. Por isso se contam hoje ali vinte milhões de “espiritualistas modernos". Mas, tanto de um lado do Atlântico quanto do outro, embora com diversa intensidade, as fases de progresso da idéia espírita têm sido idênticas.
Em ambos os continentes o estudo do magnetismo e dos fluidos havia preparado certos espíritos para a observação do mundo invisível.
A princípio, se produziram fatos estranhos em todas as partes, fatos dos quais ninguém se atrevia a falar senão em voz baixa, na intimidade. Depois, pouco a pouco se foi elevando o tom. Homens de talento, sábios, cujos nomes são garantia de honorabilidade e de sinceridade, se atreveram a falar em voz alta desses fatos, afirmando-os.
Falou-se de hipnotismo, de sugestão; depois vieram a telepatia, os casos de levitação e todos os fenômenos do Espiritismo. Agitavam-se mesas em louca rotação; deslocavam-se objetos, sem contato, ressoavam golpes nas paredes e nos móveis. Todo um conjunto de fatos se produzia; manifestações vulgares na aparência, mas perfeitamente adaptadas às exigências do meio terrestre, ao estado de espírito positivo e cético das sociedades modernas.
0 fenômeno falava aos sentidos, porque os sentidos são como aberturas por onde o fato penetra até o entendimento. As impressões produzidas no organismo despertam surpresas, incitam à busca, e conduzem à convicção. Daí o encadeamento dos fatos, a marcha ascendente dos fenômenos.
Com efeito, depois de uma primeira fase material e grosseira, as manifestações tomaram um aspecto novo. Os golpes se fizeram mais regulares e se converteram em um meio de comunicação inteligente e consciente; a escrita automática se divulgou.
A possibilidade de estabelecer relação entre o mundo visível e o invisível apareceu como um fato imenso, derrubando as idéias herdadas, derrubando os ensinamentos habituais, mas abrindo sobre a vida futura uma saída que o homem não se atrevia ainda transpor, deslumbrado pelas perspectivas que se abriam ante ele.
Ao mesmo tempo em que se propagava, o Espiritismo via alçar contra si numerosas oposições. Como todas as idéias novas, teve que enfrentar o menosprezo, a calúnia, a perseguição moral.
Tal qual, o Cristianismo em seu começo, foi sobrecarregado de amargura e de injúrias. Sempre acontece assim. Quando novos aspectos da Verdade aparecem aos homens, sempre provocam assombro, desconfiança, hostilidade.
É fácil compreendê-lo. A Humanidade esgotou as velhas formas de pensamento e de crença; e quando formas inesperadas da Verdade se revelam, não parecem corresponder muito ao antigo ideal, que está debilitado, mas não morto.
Por isso se necessita de um período bastante longo de estudo, de reflexão, de incubação, para que a nova idéia abra caminho na opinião. Daí as lutas, as incertezas, os sofrimentos da primeira hora.
Riu-se muito das formas que tomava o Novo Espiritualismo. Os poderes invisíveis que velam sobre a Humanidade são melhores juízes que nós dão meios de ação e do adestramento que convém adotar, segundo os tempos e os ambientes, para trazer ao homem o sentimento de seu papel e de seu destino, sem por isso travar seu livre arbítrio. Porque isso é o essencial: que a liberdade do homem fique intacta.
A Vontade Superior sabe ajustar-se às necessidades de uma época e de uma raça, “às novas formas da eterna revelação”.
Ela suscita no seio das sociedades os pensadores, os experimentadores, os sábios, que indicarão o caminho a seguir e colocarão os primeiros marcos. Sua obra se desenrola lentamente. Os resultados são a princípio débeis, insensíveis; mas a idéia penetra pouco a pouco nas inteligências. 0 movimento, por ser imperceptível, não é por si menos seguro e profundo.
Em nossa época, a ciência se elegeu em dona soberana, em diretora do movimento intelectual. Cansada das especulações metafísicas e dos dogmas, a Humanidade reclamava provas sensíveis, bases sólidas sobre as quais pudesse assentar suas convicções.
Fazia-se o estudo experimental, a observação dos fatos, como uma tábua de salvação. Daí o grande crédito dos homens da Ciência, na atualidade. Por isso a revelação adquiriu um caráter científico. Com fatos materiais, se chamou a atenção dos homens, que se haviam materializado.
Os fenômenos misteriosos que se acham disseminados na História, se renovaram e multiplicaram ao nosso redor, sucederam-se em ordem progressiva, que parece indicar um plano preconcebido, a execução de um pensamento, de uma vontade.
À medida que o Novo Espiritualismo ganhava terreno, os fenômenos se iam transformando. As manifestações grosseiras do começo se aperfeiçoavam, tomando um caráter mais elevado. Certos médiuns recebiam por meio da escrita, de uma forma mecânica ou intuitiva, mensagens, inspirações de fonte estranha. Instrumentos musicais tocavam sozinhos.
Ouviam-se vozes e cantos: penetrantes melodias pareciam baixar do céu e turvavam o ânimo dos mais incrédulos. A escrita direta aparecia no interior de lousas justapostas e lacradas.
Os fenômenos de incorporação permitiam aos mortos possuírem o organismo de um médium adormecido e conversar com quem haviam conhecido na Terra.
Gradualmente, e como conseqüência de um desenvolvimento calculado, apareciam os médiuns videntes, falantes, curadores.
Enfim, os habitantes do espaço revestindo-se de envoltórios temporários, vinham reunir-se com os humanos, vivendo uns instantes sua vida material e terrestre, deixando-se ver, tocar, fotografar, dando impressões de suas mãos e de seus rostos e desvanecendo-se logo para prosseguir sua vida etérea.
Assim é como se tem produzido uma série de fatos, durante mais de meio século, desde os mais inferiores e vulgares até os mais sutis, segundo o grau de elevação das inteligências, que intervêm; toda uma ordem de manifestações se desenrolou sob o olhar atento de observadores.
Por isso, e apesar das dificuldades de experimentação, e apesar dos casos de fraudes e dos modos de exploração em que esses fatos serviram muitas vezes de pretexto, a apreensão e a desconfiança se atenuaram paulatinamente e o número de investigadores cresceu.
Há quase cinqüenta anos, em todos os países, o fenômeno espírita tem sido objeto de freqüentes investigações empreendidas e dirigidas por comissões científicas. Sábios céticos, professores célebres, de todas as grandes universidades do mundo, submeteram esses fatos a um exame profundo e rigoroso. Sua intenção primeira foi sempre esclarecer o que eles criam que se tratava do resultado de enganos deliberados ou de alucinações. Mas quase todos, depois de anos de estudos conscienciosos e de experimentações perseverantes, abandonaram suas prevenções e sua incredulidade e se inclinaram ante a realidade dos fatos.
As manifestações espíritas, comprovadas por milhares de pessoas em todos os pontos do globo, demonstraram que ao nosso redor se agita um mundo invisível, um mundo onde vivem, em estado fluídico, aqueles que nos precederam na Terra, que lutaram e sofreram, e que constituem além 'da morte, uma segunda Humanidade.
0 Novo Espiritualismo se apresenta hoje com um acompanhamento de provas e. um conjunto de testemunhos tão imponentes, que já não é possível à dúvida para os investigadores de boa-fé. Isto mesmo expressava o professor Challis, da Universidade de Cambridge, nos seguintes termos:
"Os atestados têm sido tão abundantes e tão perfeitos, os testemunhos têm vindo de tantas fontes independentes entre si e de um número tão grande de testemunhos, que se faz necessário ou admitir as manifestações tal como se nos apresentam, ou renunciar' possibilidade de não atestar nenhum fato em absoluto, por declarações humanas."
Por esta razão o movimento de propagação se foi acentuando cada vez mais.
No momento atual, estamos assistindo a um verdadeiro florescimento das idéias espíritas. A crença no mundo invisível se estendeu por sobre toda a face da Terra. Por toda parte o Espiritismo tem suas sociedades de experimentação, seus vulgarizadores, seus periódicos.
Embora a filosofia, em suas mais atrevidas especulações, tenha conseguido elevar-se à concepção de outro mundo de existência depois da morte do corpo, a ciência humana, não obstante, não havia logrado, experimentalmente, a certeza do fato em si.
0 valor do Espiritismo consiste, precisamente, em que nos proporciona essas bases experimentais, provando-nos a possibilidade de comunicação entre os vivos e as inteligências, que viveram entre nós, antes de transpor o umbral da vida invisível. Essas almas puderam ministrar, em certos casos, a demonstração de sua identidade e de seu estado de consciência.
Para não citar senão um só caso entre mil, o doutor Richard Hodgson, falecido em dezembro de 1906, se comunicou depois com seu amigo J.Hislop, professor da Universidade de Columbia, entrando em minuciosos detalhes, acerca das experimentações e trabalhos da Sociedade de Investigações Psíquicas, de cuja seção americana era presidente.
Explicou como teriam que dirigi-los, provando sua identidade com todos esses pormenores. Essas comunicações se transmitiram por intermédio de diferentes médiuns que não se conheciam entre si, servindo de mútua confirmação. Nelas se reconhecem as palavras e as frases familiares do comunicante durante sua vida.
Embora o início do Espiritismo tenha sido difícil e sua marcha lenta e cheia de obstáculos, há quase vinte anos conquistou direito de cidadania.
Converteu-se em uma verdadeira ciência e, no tempo certo, num corpo de doutrina, uma filosofia geral da vida e do destino, cimentada em um conjunto imponente de provas experimentais às quais a cada dia se agregam fatos novos.
Esta ciência, esta doutrina, nos tem demonstrado cada vez melhor a realidade de um mundo invisível, incomensurável, povoado de seres viventes que até agora haviam passado inadvertidos a nossos sentidos. Novos horizontes se nos abriram. A perspectiva de nossos destinos se nos ampliou.
Nós mesmos pertencemos, por uma parte de nosso ser - a mais importante - a esse mundo invisível que se revela cada dia mais aos observadores atentos.
Os casos de telepatia, os fenômenos de desdobramento, as exteriorizações de pessoas vivas, as aparições à distância, tantas vezes descritas por F. Myers, C. Flammarion, Ch.Richet, o Doutor Dariex, o Dr. Maxwell, etc.., O demonstram experimentalmente. As atas da Sociedade de Investigações Psíquicas, de Londres, são ricas em fatos desse gênero.
Os espiritistas crêem que estas partes invisíveis, imponderáveis de nosso ser, registro inalterável de nossas faculdades, de nosso "eu" consciente, em uma palavra: o que os crentes de todas as religiões chamaram "alma", sobrevive à morte.
Prossegue através do tempo e do espaço sua evolução até estados sempre melhores e mais iluminados através de raios de justiça, de verdade e de amor. Esta alma, este eu consciente, tem como invólucro indestrutível, como veículo, um corpo fluídico, envoltório do corpo humano, formado de matéria sutil, radiante, invisível, sobre o qual não tem a morte ação alguma.
Achamo-nos aqui em presença de uma teoria, de uma concepção suscetível de reconciliar as doutrinas materialistas e espiritualistas que durante tanto tempo se combateram sem poder derrubar-se, nem se destruir mutuamente.
A alma já não seria uma vaga abstração, senão um centro de força e de vida, inseparável de sua forma sutil, imponderável, embora ainda matéria.
Há nela uma base positiva para as esperanças e as aspirações elevadas da Humanidade. Tudo não termina com esta vida: o ser indefinidamente aperfeiçoável recolhe em seu estado psíquico, que sem cessar se refina, o fruto do trabalho, as obras, os sacrifícios de todas as suas existências.
As dores, o grito de chamada que se eleva para o céu desde as profundezas da humanidade, não ficam sem resposta.
Aqueles que viveram entre nós e continuam no espaço sua evolução indefinida, sob formas mais etéreas, não se desinteressam de nossos sacrifícios e de nossas lágrimas.
Desde os cumes da vida universal caem sem cessar sobre a Humanidade correntes de forca, e inspiração. Dali procedem aos relâmpagos do genro; dali os sopros poderosos que passam sobre as multidões nas horas decisivas; dali o consolo para os que sucumbem sob a pesada carga da existência.
Um laço misterioso une o visível ao invisível. Nosso destino se desenvolve sobre a cadeia grandiosa dos mundos e se traduz em aumentos graduais de vida, de inteligência, de sensibilidade.
Mas, o estudo do universo oculto não se faz sem dificuldades. Lá, como aqui, o bem e o mal, a verdade e o erro se misturam, segundo o grau de evolução dos espíritos com os quais entramos em relação.
Por isso é necessário abordar o terreno da experimentação com uma prudência extremada, depois de estudos teóricos suficientes.
0 Espiritismo é a ciência que regula essas relações e nos ensina a conhecer, a atrair, a utilizar as forças benéficas do mundo invisível, a separar as más influências e, ao mesmo tempo, a desabrochar os poderes escondidos, as faculdades ignoradas que dormem no fundo de todo ser humano.
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