sábado, 25 de janeiro de 2014

NA SEPULTURA DE UM ESPIRITA

A beira dessa tumba, antes de devolver a terra os despojos de nosso irmão, antes de devolver a poeira a poeira, saudemos o Espírito, em sua volta ao mundo invisível.
Hoje, liberto da escravidão da matéria, ele vai reencontrar os seus bem amados, que o precederam na vida superior, vai recolher na paz serena dos espaços os frutos de uma existência de labores e de provações.
Deus poderoso, sê misericordioso para com ele. Abre-lhe teus vastos horizontes luminosos; permite que ele goze dos esplendores e das harmonias de teu universo infinito.
Faz, Senhor, que, nesse espetáculo grandioso, no estudo que vai fazer do universo, ele obtenha com uma compreensão mais ampla de tua lei, um desejo ardente de trabalhar em sua evolução e na de seus semelhantes.
Saibam, todos os que me escutam, que são mentirosas inscrições de que estamos rodeados e que Aqui jaz um tal; aqui repousa alguém “. Não há mais nada sob o solo, a não ser os restos de vestimentas usadas.
A vida livre do Espírito no espaço é uma vida de atividade e de útil labor; segundo suas capacidades e seu grau de adiantamento, o Espírito recebe missões, que contribuem para elevá-lo mais alto, na escala infinita: missões de proteção para com os que ele deixou na Terra, atendendo que eles vão reencontrá-lo no Além (falar aqui da viúva, dos filhos, se for necessário), missões de ensino e de educação em proveito dos Espíritos inferiores; missões de inspiração e de assistência para com os humanos que desenvolvem uma nobre tarefa ou que sofrem o peso de provas cruéis.
A vida do espírito não é uma bela contemplação, porém, uma ação constante, em vista de sua elevação e a de todos.
Lembremos aqui o que foi a vida de nosso irmão, isto é, uma vida de labores e de abnegação (enumerar as qualidades do desencarnado). Uma força sempre o assistiu, no meio de suas provas: foi sua fé profunda na vida futura, sua crença no mundo invisível, na justiça eterna, sua crença nas vidas renascentes pelas quais o ser se eleva de grau em grau na escalada dos mundos. Numa palavra, foi o Espiritismo que o sustentou e consolou, fortificou em suas lutas e em seus males.
Esta grande doutrina é, ao mesmo tempo, antiga e nova, porque a verdade é de todos os tempos. Após ter sido esquecida, ela se reanima hoje; ela se expande com um poder e uma rapidez maravilhosa, atrai para si a elite dos pensadores e dos sábios do mundo inteiro. Traz-nos dados precisos, certezas sobre nossa verdadeira natureza, sobre nosso futuro além túmulo, sobre nossos destinos imortais.
Observem, esta doutrina se apóia em um conjunto imponente de fatos, de provas experimentais, que constituem uma ciência vasta e profunda.
De hoje em diante, está feita a prova de que a morte é apenas uma aparência. Os que acreditamos perdidos, revivem de uma vida mais alta e estão, muitas vezes, perto de nós. Comunicações são estabelecidas entre os vivos e os mortos e logo eles se sentirão unidos em uma obra comum de solidariedade e de progresso.
E esta ciência, esta doutrina se manifesta em uma época em que as provas se multiplicam, onde a existência se torna áspera, mais difícil, onde conflitos surgem a cada instante entre as raças, entre os povos, entre as classes sociais.
As lições de guerra, embora tão brilhantes, não nos aproveitaram e uma onda de ódio, de ardentes cobiças, de imoralidade passa pelo mundo; novos males nos ameaçam.
E nesta hora que a voz dos Espíritos se eleva para nos lembrar que há, acima de nós, leis eternas que não se violam impunemente e cuja aplicação pode, por si só, trazer entre nós a paz, a segurança, a harmonia social.
Essa voz vem despertar em nossas consciências perturbadas a noção dos deveres e das responsabilidades, lembrar a todos que o bem, como o mal recaem sobre seus autores e que a alma colhe infalivelmente, em suas vidas sucessivas, tudo o que semeou.
Essa voz, X (o desencarnado) a ouviu; esses ensinamentos, ele os compreendeu. Toda a sua vida foi também boa e exemplar.
E eis porque nós, que partilhamos de suas crenças, nós que temos fé na sobrevivência e imortalidade, estamos nessa sepultura para dizer ao Espírito invisível, mas não ausente, não este adeus final, que se ouve tão freqüentemente retumbar sobre as campas, porém, um cordial até logo! Até logo, nessa vida nova que se abre diante dele, nessa vida superior, onde nós nos reencontraremos todos



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